• Dos Avanços à Etica

    Dos Avanços à Etica

    Os avanços na área de Medicina Reprodutiva estão a olhos vistos. Desde o nascimento de Louise Brown em 1978 na Inglaterra, muitas mudanças aconteceram com melhoria dos resultados e busca de novas tecnologias que venham a vencer barreiras que existem neste tema tão rico.

    As barreiras são um estímulo aos pesquisadores que se desdobram com toda a sua energia a elucidarem enigmas que um dia jamais se pensou. A década de 90 foi a era de resolver os grandes problemas da infertilidade masculina com o desenvolvimento e aprimoramento da técnica de injeção intra-citoplasmática de espermatozóide (ICSI), com suas diversa variantes, sendo os espermatozóides colhidos ou por masturbação ou diretamente do(s) testículos ou canais que os levam até a uretra.

    Foi um grande avanço pois o problema da infertilidade masculina moderada a grave passava a Ter solução, na maioria dos casos. À frente de novos desafios existem tratamento para maturação dos espermatozóides que são encontrados em sua forma imatura nos órgãos reprodutivos; maturação do similar feminino, os ovócitos, ambos realizados em laboratório de reprodução humana, porém ainda em caráter experimental.

    Naturalmente todos estes tratamentos devem estar sob rigoroso controle ético, técnico e de qualidade objetivando, resolver os problemas que a natureza por algum motivo não tem conseguido. A pesquisa de forma experimental deve ser feita em animais e o ser humano jamais deverá ser objeto de estudos iniciais sem que antes haja exaustivos estudos que possam criar uma perspectiva de que estes experimentos, quando realizados em seres humanos, não venham a criar problemas.

    Hipócrates há 400 a. C. opunha-se ao uso de remédios sem cuidadosos testes do seu valor curativo. Mesmo com estes cuidados científicos é sempre importante esclarecer que experimentos inócuos a outros animais, mesmo os primatas, não dão garantia absoluta de danos a seres humanos. É necessário pois uma comissão de ética que discuta os objetivos e os métodos das pesquisas, principalmente em se tratando de áreas pouco exploradas.

    Os pacientes devem conceder autorização prévia, tendo total conhecimento dos riscos potenciais que os experimentos possam vir a gerar. Tratando-se da geração de um novo ser como embriões humanos, honestamente não entendo se mesmo com autorização prévia dos pais se os pesquisadores estão isentos de julgamento ético, moral e científico, tendo em vista tratar-se de um novo indivíduo que não pôde escolher o seu destino, e nem saberá qual o seu futuro.

    Certamente, avanços científicos que não obedecerem aos princípios éticos como os ocorridos nas Guerras ou o uso de seres humanos para pesquisa direta dos efeitos da radioatividade sem conhecimento dos mesmos, que recentemente foram divulgados e assumidos por autoridades, devem ficar para o passado, porém estar presente em nossas lembranças para que não se faça da ciência um novo campo de concentração. Os avanços na Medicina certamente foram às custas de muita luta, suor, esperança, investimento, lágrimas e certamente muito cunho ético que deverá sempre nortear os caminhos dos desbravadores em busca dos avanços que atenuem ou nos livre dos males do corpo e da alma.

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